Técnico-administrativos rejeitam proposta de reajuste de 15,8%

O Ministério do Planejamento apresentou nesta segunda-feira, 6, aos funcionários técnico-administrativos das universidades públicas federais uma proposta de 5% de reajuste ao ano, entre 2013 e 2015, o que traria um aumento total no período de 15,8%. O reajuste atingiria 182 mil servidores e traria um impacto para folha de pagamento de R$ 1,7 bilhão.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Educação Básica e Tecnológica (Sinasefe) recusou a proposta e a greve continua. A pasta acenou ainda com a reestruturação da carreira e a realização de concursos públicos. O piso da categoria é R$ 1.200,00.
Na UFF (Universidade Federal Fluminense), sindicato e reitoria não estimaram a quantidade de funcionários parados, em qualquer das categorias. Segundo a associação de docentes, houve paralisação inclusive em programas de pós-graduação.

Na UniRio também houve paralisação em parte da pós-graduação, segundo a professora Clarissa Gurgel, do comando de greve. Embora a informação tenha sido confirmada pela reitoria, nenhuma das entidades têm estimativas da quantidade de programas de pós ou de cursos de graduação parados, apesar de informarem que existem docentes grevistas em todos os cursos da instituição.

Na UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), a paralisação atinge a graduação, cujo calendário oficial está suspenso desde 23 de maio, e será Equotd+integralmente recompostoEquotd+ após o fim da greve docente. Bibliotecas e hospital veterinário também estão fechados. Há atividade em alguns programas de pós-graduação e em núcleos específicos de pesquisa.

BRASÍLIA

Os poucos alunos que circulam pelo campus da UnB vão à instituição em busca de documentos ou para dar continuidade a projetos de pesquisa e extensão.

De acordo com os estudantes, alguns laboratórios seguem em funcionamento e as atividades administrativas –como emissão de atestados e declarações– também não foram interrompidas.

A estudante de letras Giovana Ribeiro Pereira foi à universidade nesta segunda para se reunir com uma professora que está orientando a turma na preparação de um trabalho. Equotd+É o trabalho final da disciplina, bem extenso. A gente estava se preparando para fazê-lo quando a greve começou. Ela [professora] se dispôs a continuar nos orientando. Mas as aulas estão completamente paradasEquotd+, disse.

A estudante do quinto semestre de biologia Natália Gonczarowska, 20 anos, continua frequentando a UnB todas as semanas por trabalhar como estagiária no Laboratório de Neurociência e Comportamento Animal do Instituto de Biologia.

Equotd+Há muitos laboratórios no meu curso e, que eu saiba, nenhum parou. Além de precisarem de manutenção, pesquisa é uma coisa complicada de parar, pois há prazosEquotd+, explica. Na graduação, Natália afirma não estar tendo nenhuma aula. Equotd+Todas as minhas disciplinas estão suspensasEquotd+, diz.

NEGOCIAÇÃO

De acordo com a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra), que representa os técnicos administrativos, alguns serviços seguem disponíveis nas universidades e institutos federais porque a categoria está mantendo 30% do efetivo trabalhando. Em greve desde 11 de junho, os técnicos começam as negociações com o governo penas nesta segunda.

Ao longo desta semana, os professores decidirão em assembleias por todo o país sobre a continuidade ou interrupção da greve. Na última quarta (1°), o governo decidiu assinar acordo com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), entidade que representa a minoria dos professores.

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), que representa a maior parte da categoria, recusou a proposta governamental e está orientando as bases para endurecerem o movimento.

Duas entidades que também representam os professores,o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), também se recusaram a ratificar o acordo.