Colégio de Aplicação da UFSC se prepara para aplicar veto ao uso de celulares nas salas de aula

A principal questão a ser discutida é quem ficará responsável pela fiscalização da medida; a lei sugere que essa não seja uma responsabilidade do corpo docente

Com o início do ano letivo no dia 17 de fevereiro, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (CA/UFSC) se prepara para adotar o veto ao uso de celulares nas salas de aula. A medida, prevista na lei sancionada no dia 13 de janeiro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve começar a ser aplicada entre os meses de fevereiro e março na unidade, após reuniões para estabelecer as orientações necessárias.

Colégio de Aplicação da UFSC (Foto: Natan Balthazar/Apufsc)

No texto da lei, os estudantes são autorizados a levar os aparelhos nas mochilas, mas o uso em ambiente escolar, mesmo nos intervalos entre aulas, fica proibido, com a exceção de situações que envolvam emergências, questões de saúde, acessibilidade, ou “desde que inseridos no desenvolvimento de atividades didático-pedagógicas e devidamente autorizados pelos docentes ou corpo gestor.”

O diretor de Ensino do CA, Everton Rogério Côrrea, explica que a equipe de gestão vai realizar reuniões de segmento com as coordenações dos anos iniciais aos finais, com o objetivo de organizar a forma como a lei será implementada.

Segundo ele, a principal questão a ser discutida é quem ficará responsável pela fiscalização da medida, visto que a aplicação da nova regra fica a critério de cada instituição de ensino.

“Uma coisa que gente já tem certeza é que os professores não serão incumbidos disso. O próprio documento sugere que não sejam os docentes que façam esse controle”, explica.

Everton diz que, até o ano passado, havia a orientação de que os celulares não fossem usados em sala de aula, exceto nos casos em que houvesse solicitação dos professores com objetivos pedagógicos. Segundo ele, no entanto, as tentativas de burlar essa regra eram constantes, e estavam sendo prejudiciais ao desempenho escolar dos estudantes. O diretor acredita que, após a implementação da nova lei, estudos comparativos devem provar esse efeito. “Muitas coisas vão ficar bastante evidentes em relação a isso”, afirma.

Ainda de acordo com o diretor, as medidas devem amenizar “o grande número de transtornos mentais e emocionais que estão acometendo os estudantes.” Ele explica que o vício nas telas entre os alunos vinha sendo um grande desafio ao longo de todo o processo pedagógico.

“Como profissional, eu penso que essa lei veio em boa hora, porque o uso do celular de maneira desmedida pelos estudantes em sala de aulas, seja no recreio, nos ambientes escolares, estava causando muitos transtornos, muitos problemas”, relata.

Laura Miranda
Imprensa Apufsc