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Cortes atingem concursos de 2011 e moradia

O anúncio do detalhamento dos cortes de R$ 50 bilhões no Orçamento da União trouxe a estiagem de concursos públicos para o Executivo até o fim do ano. Dos cerca de R$ 5 bilhões previstos para a contratação de pessoal pela União, em 2011, a tesoura do Ministério do Planejamento limou R$ 3,5 bilhões. “Não vai ter concurso público nenhum neste ano. A não ser que tenha uma emergência. Até mesmo aqueles que já tinham sido realizados e que não tinham o curso de formação concluído não vão sair”, afirmou a secretária de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Célia Correa.

Nos próximos nove meses, os principais concursos com previsão de abertura pretendiam selecionar pelo menos 4 mil novos servidores (veja quadro). O corte foi justificado pela necessidade de o governo federal ajustar as contas públicas para frear o crescimento e conter a volta da inflação. A porteira fechada para os concursos não afeta diretamente as seleções para o Judiciário e o Legislativo, mas por conta do clima de ajuste fiscal, as seleções feitas pelos dois Poderes também devem ficar para o ano que vem. Do corte anunciado ontem pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, cerca de R$ 18 bilhões virão de investimentos previstos em emendas parlamentares e R$ 32 bilhões de despesas com custeio, como a contratação de novos servidores e abertura de concursos públicos.

A notícia da escassez nos concursos até o fim do ano frustrou quem se dedica em tempo integral às seleções públicas. O autônomo Pedro Paulo Ferreira, de 25 anos, intensificou os estudos no começo do ano com a esperança de passar na seleção para técnico do Senado, cujo edital estava previsto para ser publicado neste semestre. Embora não faça parte do corte anunciado pela União, a seleção também foi adiada pelo presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). “Gastei R$ 2,8 mil com cursinho e tenho me dedicado sete horas por dia para estudar. O governo deveria cortar outras coisas ou deixar de dar aumento para os próprios ministros, deputados e senadores. Só não poderia cortar os concursos”, disse Ferreira.

Segundo o autônomo, que atualmente trabalha com o pai na Ceasa, a suspensão dos concursos públicos é um balde de água fria para a maior parte dos concurseiros. “Fico frustrado com a notícia. É desesperador. Muita gente ficou sem rumo”, desabafou. Além dos concursos do Judiciário e do Legislativo, ficam livres dos cortes as seleções de empresas estatais sem dependência orçamentária da União, como a Petrobras e os Correios. De acordo com o Planejamento, os reajustes salariais já negociados com as categorias serão mantidos, mas novos aumentos estão descartados. “Não vai haver nenhum tipo de calote este ano”, garantiu Célia. Entre os reajustes na fila de votações do Congresso, está o de 56% para os servidores do Judiciário.

“Lado bom”

Matriculada em um cursinho para o cargo de auditor tributário, a servidora do Ministério das Comunicações Dilcimar Resende de Mello, de 47 anos, preferiu ponderar a decisão do governo. Ela espera que os cortes não interfiram no edital da seleção para auditor, que tem prova marcada para abril, mas considera que um adiamento curto, por apenas um ou dois meses, seria providencial. “Estou estudando firme desde novembro. Se adiasse por um mês, seria até bom para estudar mais, mas se ficar para o ano que vem, vai ser desmotivante”, afirmou.

Há, porém, quem esteja comemorando a decisão do governo de cortar os concursos. É o caso da psicóloga Karla Couto, 29 anos, que estuda há cinco meses, de cinco a seis horas por dia, para a seleção do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Em princípio, a seleção não corre riscos. Apesar de ter deixado um emprego na iniciativa privada, ela enxerga o “lado bom” de não haver concursos em 2011. “O lado bom é que muita gente vai desistir de estudar e eu vou ter mais tempo para me preparar”, disse. Opinião semelhante tem a telefonista Liviane Félix, 26, que estuda há um ano para concursos diversos, mas avalia que precisa de mais tempo para atingir o objetivo de se tornar servidora pública. “Independentemente dos cortes, o importante é não parar, porque uma hora os concursos vão sair e nessa hora vou estar pronta para passar”, ambiciona.

Caso a caso

O governo federal pretende analisar caso a caso as excepcionalidades à regra de proibição de novos concursos até o fim do ano. Seleções que se destinem à substituição de terceirizados definidas pela Justiça ou a contratação de pessoal para formação de órgãos recém-criados, como a Autoridade Pública Olímpica, devem escapar da regra de freio nas contas com pessoal. Algumas estatais que não dependem dos recursos da União também podem acionar o freio nas nomeações de aprovados, como é o caso da Petrobras e dos Correios, mesmo que a determinação do Planejamento não atinja as empresas diretamente.

Na berlinda

O governo cortou R$ 3,5 bilhões da previsão de despesas com contratação de servidores e concursos, ou 70% do total previsto para 2011

No fio da tesoura

Veja a lista de seleções que estão sob risco

Órgão - Vagas
INSS - 2.500
Polícia Federal - 1.000
Empresa Brasil de Comunicação - 400
Ibama - 362
Ancine - 100
Biblioteca Nacional - 44
Total - 4.406

Em banho-maria


Confira os concursos em andamento ou que aguardam as nomeações de aprovados

Ministério Público da União - 6.804**
Marinha (Aprendizes-Marinheiros) - 2.200
Inmetro - 253
Ministério do Meio Ambiente - 200
Anatel    141
Aneel - 139
Ministério do Turismo - 112
Marinha Mercante - 100
Infraero - 99
CNPq - 95
Embratur - 84
Abin - 80
Marinha (Segundo Oficial de Náutica) - 60
Instituto Rio Branco - 26
Total - 10.393

Manchete

Correio Braziliense


Postado

1.março | 2011


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