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Em Defesa de Israel – Uma perspectiva bíblica

A história de Israel é inseparável dos relatos contidos nos livros que constituem o Tanakh,  que  equivale  ao Antigo Testamento da Bíblia. Tomaremos então as Escrituras, isto é, o conteúdo dos vários livros da Bíblia, como nosso ponto de análise para entendermos o conflito envolvendo Israel os países árabes e o Irã.
Se buscarmos na Bíblia as passagens referentes à Jerusalém encontramos cerca de 808 passagens [1]. Coloquemos a mesma questão em relação ao Quran:
 
i) Quantas passagens no Quran dizem respeito explicitamente a Jerusalem?
 
E, havendo tais passagens, o que elas dizem sobre Jerusalém, no sentido de
 
ii) Quem deve tomar posse de Jerusalém?
 
Estas duas questões servem de base para uma defesa de Israel em relação a sua reclamação de Jerusalém como a capital eterna do agora constituído Estado de Israel, um dos pontos sensíveis no conflito árabe-israelense. De fato, a leitura do Segundo Livro de Samuel, conforme comenta Alonso Schokel, mostra teologicamente que [2]
 
“Davi é o beneficiário de uma nova eleição e de uma promessa. A sua eleição se soma à do povo e à dos outros chefes, constituindo um novo artigo da fé israelita; à sua eleição se junta a de Jerusalém, como morada do Senhor: outro artigo religioso fundacional. Como beneficário da promessa, é quase um novo patriarca, pai de uma dinastia, como Abraão o foi de um povo grande.

Por essa promessa, Davi se carrega de futuro. Quer dizer que os israelitas não se contentarão em ter saudade do passado, quando recordam seu rei favorito, mas que em seu nome  esperam um sucessor legítimo, digno dele, um restaurador, um futuro libertador. Sobre esse eixo se desenvolve e cresce a esperança messiânica. Por Davi e sua dinastia, entra na religião de Israel todo um repertório de símbolos de salvação, que servirão para expressar e alimentar a esperança messiânica”.

 
Esse trecho bíblico deixa claro a vocação inequívoca de Jerusalém para Israel. Haveria no Quran, em resposta a questão (ii), tamanha importância atribuída a Jerusalém?
 
Se a resposta que o Quran der as questões (i) e (ii) não colocar Jerusalém no mesmo patamar com que os israelitas a colocam, isso permite justificar que Israel reclame a posse da cidade pelo valor histórico e de identidade nacional com que vêem aquela cidade. Mas, alguns poderão alegar que questões religiosas não deveriam sequer serem postas para resolver a quem pertence a soberania de Jerusalém. Contudo, ao bradarem “guerra santa” para resolver isso os árabes não alegam exatamente questões religiosas para reclamarem a cidade? Mas, diferentemente de Israel, se os árabes não conseguem provar seus vínculos históricos e religiosos com aquela cidade na mesma proporção com que os israelenses demonstram ter, qual a legitimidade em reclamá-la?

Falar de direito de retorno dos árabes da Palestina a Israel se mostra algo totalmente assimétrico se os países árabes não garantirem o direito de retorno dos muitos judeus que antes habitavam nestes países árabes (não que os judeus desejem isso, mas certamente que eles teriam esse direito). Ora, alguém consegue imaginar judeus vivendo pacificamente em países como Arábia Saudita, Irã, Egito, Líbano, Síria, Jordânia etc.? Basta ver a perseguição aos cristãos cooptas no Egito, ou o risco de vida que se corre em ter uma Bíblia na Arábia Saudita ou no Irã para entendermos a falsidade de propósito dos árabes palestinos em invocarem o “direito de retorno” quando nenhum país árabe garante isso a quem não seja convertido ao Islã. Ironicamente, Israel dá um exemplo aos países da região ao reconhecer amplos direitos aos chamados árabes-israelenses, isto é, árabes que são cidadãos israelenses, mas não são judeus.
 
A solução do conflito árabe-israelense parece ficar cada vez mais longe de ser resolvida, e, para os que estudam as Escrituras, as sucessivas vitórias de Israel parecem confirmar uma antiga profecia de Isaías 8:9,10

“Povos, fiquem sabendo que vocês serão derrotados. Atenção, países distantes: armem-se quanto quiserem, que vocês sairão derrotados, façam planos à vontade, que fracassarão; façam ameaças: elas não se cumprirão, porque Deus está conosco.”


Marcelo Carvalho
Professor do Departamento de Matemática
 
Referência
 
[1] “The NIV Exhaustive Bible Concordance”; John Kohlenberger III
 
[2] “Bíblia do Peregrino”; Luís Alonso Schokel

Manchete

Alguns poderão alegar que questões religiosas não deveriam sequer serem postas para resolver a quem pertence a soberania de Jerusalém. Contudo, ao bradarem “guerra santa” para resolver isso os árabes não alegam exatamente questões religiosas para reclamarem a cidade?


Postado

21.maio | 2018 | Marcelo Carvalho


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