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A revolução de abril na Nicarágua

Pequeno país da América Central com aproximadamente 125 mil km2 e  seis (6) milhões de habitantes, com um Índice de Desenvolvimento Humano baixo de 0,645 (124º no ranking mundial), onde o salário mínimo equivale a R$ 600,00 e a cesta básica R$ 1.400,00 é considerado um dos países mais pobres da América Latina.

Desde julho de 1979, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) após derrubar a ditadura da família Somoza, governa o país com um sistema identificado como de “esquerda” progressista, aliado aos estilos de governar da Venezuela e Bolívia.

À frente do governo entre 1985 e 1990. Voltou ao cargo em 2006. Foi reeleito em 2011 e 2016, há onze (11) anos contínuos, com reforma constitucional. O casal Daniel Ortega e Rosário Murillo (nova oligarquia) estão isolados do movimento que exige a renovação e o respeito dos princípios que nortearam a revolução sandinista.
 
São denunciados de há muito tempo por acordos com antigos integrantes dos governos da família Somoza para manter-se no poder, por falta de transparência e de corrupção na gestão dos recursos públicos.

Na quarta-feira (18 de abril) passada, o governo de Daniel Ortega baixa um decreto de reforma da previdência, iniciando uma série de protestos por parte de aposentados, pensionistas, apoiados por trabalhadores e jovens estudantes universitários e do ensino médio. O governo declara que se trata de vândalos e jovens desocupados. A polícia reprime agredindo os manifestantes com a morte de alguns estudantes.

É o estopim para que, a partir de 18 de abril, as manifestações se alastrem por todo o país, aumentando o número de participantes com a adesão de outros setores populares, aumentando o número de presos e mortes. No domingo (22 e abril) o Presidente Daniel Ortega declara que o decreto é derrogado, sem reconhecer as manifestações populares e seus mortos.

Nesta segunda-feira (23 de abril) mais de meio milhão de manifestantes por todo o país reivindicam entre outros pontos: o fim da repressão policial e pela liberdade de manifestação e de expressão; o fim da censura aos meios de comunicação; a renúncia do atual governo e a convocação de eleições gerais.

Até o momento, segundo as informações disponíveis, são mais de cinquenta mortos  (50) e mais de 300 presos, em sua maioria estudantes e jovens trabalhadores. Todas as universidades estão paralisadas e a crescente adesão ao movimento nos leva a manifestar a solidariedade e efetivas mudanças no país. Todo apoio ao movimento que exige a democratização do país e um basta à repressão policial! É a revolução de abril de estudantes, jovens, trabalhadores e democratas na Nicarágua.

https://www.youtube.com/watch?v=1MPGzzvyUsU
https://www.youtube.com/watch?v=WQJ-bzQ6XPE


José Francisco Fletes
Professor desde 1977 da UFSC, Centro Tecnológico (CTC), Departamento de Informática e Estatística (INE). Nascido na Nicarágua em 1951 é obrigado a sair em 1971 após prisão e desaparecimento por uma semana na época do regime de Somoza. Militou na Frente Estudantil Revolucionária da Universidade Nacional Autônoma de Nicarágua em 1970 (UNAN).

Manchete

Nesta segunda-feira (23 de abril) mais de meio milhão de manifestantes por todo o país reivindicam entre outros pontos: o fim da repressão policial e pela liberdade de manifestação e de expressão; o fim da censura aos meios de comunicação; a renúncia do atual governo e a convocação de eleições gerais


Postado

24.abril | 2018 | José Fletes


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