Artigos

Mentiras sobre a Previdência

A conservação da energia é um dos princípios básicos da natureza e sugere no plano do nosso cotidiano que nada se ganha sem que se receba de outro lugar. Estendendo essa intuição à questão da previdência, e sem entrar no mérito do malabarismo expositivo dos fiscais da ANFIPE que pensam o contrário, é fácil de compreender que há uma assimetria entre um servidor público descontar  como contribuição previdenciária 11% de seus rendimentos e depois  se aposentar ganhando salário integral. E, em geral, o fato de servidores públicos aposentados continuarem a contribuir para a previdência tampouco elimina esta assimetria. 

Há aqui uma componente injusta e perversa que passa despercebido pelos críticos da reforma da previdência. Com efeito, há dois regimes de previdência, um dos trabalhadores da iniciativa privada e outro dos servidores públicos, contudo, o custo dos benefícios das aposentadorias (seja deficitário ou não como alegam os muito bem pagos e privilegiados fiscais da ANFIPE) deve ser bancado pelo governo e incide sobre todos os contribuintes, sejam eles da iniciativa privada ou servidores públicos. O aspecto perverso dessa estrutura fica evidente na disparidade atual com que um trabalhador da iniciativa privada se aposenta onde o teto é um pouco mais de 5 mil reais, e como um servidor público se aposenta que, pelas regras atuais, lhe concede o salário integral (e repetindo o que já foi dito, mesmo tendo contribuído com apenas 11% de seus vencimentos). Ora, se é para manter regimes de previdência distintos que também  seja diferenciada a manutenção de cada regime previdenciário. Havendo déficit, por que o ônus de arcar com os benefícios previstos devem incidir sobre todos? Obviamente os “experts” da ANFIPE quando propagandeiam que não há déficit na previdência acham normal que não seja incluído nos gastos obrigatórios da previdência aquilo que o governo tem que pagar para os próprios servidores públicos. Assim, é fácil alegar que não há déficit na previdência. Mas, mentiras a parte, quando a conta vier e não for paga, será que esses servidores públicos vão continuar seu devaneio de que não há déficit na previdência?


Marcelo Carvalho
Professor do Departamento de Matemática

Notas:

Para uma visão comparativa a favor e contra da reforma da previdência  ver

https://www.youtube.com/watch?v=_GFzBhb16K8

https://www.youtube.com/watch?v=EJO_MNtKjDc
 

 
 

Manchete

Se é para manter regimes de previdência distintos que também seja diferenciada a manutenção de cada regime previdenciário


Postado

22.janeiro | 2018 | Marcelo Carvalho


Tags

artigo; opinião


Imprimir


Compartilhar


Comentário

Captcha

O conteúdo dos artigos assinados é de responsabilidade dos autores.

Filiar-se

Newsletter

(48) 99944.0103 (WhatsApp)
(48) 3234.2844 e 3234.5216 (Max & Flora)
(48) 3721.9425 e 3234.3187 (Campus Trindade)
(47) 3027.7992 (Joinville)
(49) 3241.4181 (Curitibanos)
(48) 3524.0228 (Araranguá)

© APUFSC Sindical

Designed & Created by: Hupx Tecnologia Powered by: Dynamicweb